As ações são, provavelmente, o ativo financeiro mais conhecido e, simultaneamente, um dos mais mal compreendidos. Para muitos empresários e gestores, as ações são vistas apenas como “instrumentos de bolsa”, associados a especulação, volatilidade ou notícias de mercado. Para outros, são simplesmente um meio de investimento pessoal. Na realidade, as ações representam algo muito mais fundamental: capital de empresas reais, com atividade económica concreta, trabalhadores, clientes, riscos e oportunidades.
Compreender o que são ações e como funcionam é essencial não apenas para investidores, mas também para:
- gestores que tomam decisões estratégicas de financiamento,
- empresários que ponderam abrir o capital da sua empresa,
- estudantes de gestão que precisam de ligar finanças, estratégia e mercados,
- decisores que querem perceber como o mercado avalia empresas ao longo do tempo.
Este artigo tem como objetivo explicar, de forma clara e rigorosa, o que são ações, como são criadas, como são negociadas e como o seu valor é determinado, enquadrando o tema tanto na realidade portuguesa como no contexto internacional, em particular nos Estados Unidos. A ideia não é ensinar a “comprar ações”, mas sim compreender o ativo, o seu papel na economia e a lógica dos mercados onde é negociado.
Neste artigo:
- A empresa e o capital: porque existem ações
- A empresa como organização económica e jurídica
- Capital próprio vs capital alheio
- O papel do capital social no financiamento das empresas
- Porque é que as empresas emitem ações
- O que é uma ação: definição económica e jurídica
- A ação como fração do capital social
- Direitos associados a uma ação:
- direitos económicos (dividendos)
- direitos políticos (voto)
- A diferença entre ser acionista e ser credor
- Sociedades anónimas em Portugal e empresas cotadas nos EUA
- O que é uma Sociedade Anónima (S.A.) em Portugal
- Ações nominativas e ao portador (enquadramento histórico)
- O conceito de public company nos Estados Unidos
- Diferença entre:
- empresa pública (Estado como acionista, em Portugal)
- empresa cotada em bolsa (capital disperso, EUA)
- Valor nominal da ação vs valor de mercado
- O que é o valor nominal e porque existe
- Como é definido o capital social
- Porque o valor nominal raramente coincide com o preço de mercado
- O preço da ação como resultado das expectativas do mercado
- O que é uma Oferta Pública Inicial (IPO)
- Porque é que uma empresa decide abrir o capital
- O papel dos bancos de investimento
- Como são definidas:
- a quantidade de ações
- o preço inicial
- O que muda para a empresa após o IPO
- As bolsas de valores: o que são e para que servem
- A bolsa como mercado organizado
- Funções principais:
- liquidez
- formação de preços
- transparência
- Exemplos de bolsas:
- NYSE
- NASDAQ
- Euronext Lisboa
- Como se forma o preço de uma ação: o livro de ordens
- O conceito de oferta e procura
- Ordens de compra e de venda
- Ordens ao mercado vs ordens limite
- O order book e o spread
- Porque o preço muda constantemente
- O que é uma cotação e o que ela realmente reflete
- Preço não é “valor”
- A cotação como consenso momentâneo do mercado
- O papel das expectativas, notícias e resultados
- Volatilidade e liquidez
- Porque é que as ações sobem e descem
- Resultados financeiros e expectativas futuras
- Crescimento, risco e incerteza
- Fatores específicos da empresa vs fatores de mercado
- O papel dos investidores institucionais
- Ações como instrumento de investimento (enquadramento geral)
- Rentabilidade esperada no longo prazo
- Risco e volatilidade
- Dividendos vs valorização do capital
- Ações no contexto de uma carteira diversificada
- Conclusão: ações como ponte entre empresas e mercados
- As ações como mecanismo de financiamento da economia
- A importância de compreender o ativo antes de investir
- A ligação entre gestão, estratégia e mercado de capitais
1. A empresa e o capital: porque existem ações
A empresa como organização económica e jurídica
Uma empresa não é apenas uma ideia, um produto ou uma marca. Do ponto de vista económico e jurídico, uma empresa é uma organização estruturada de recursos — humanos, materiais, tecnológicos e financeiros — criada com o objetivo de desenvolver uma atividade económica de forma contínua.

Juridicamente, a empresa assume uma forma legal que lhe confere personalidade própria, distinta da dos seus proprietários ou gestores. Esta separação é fundamental, pois permite à empresa:
- celebrar contratos,
- assumir responsabilidades,
- deter património,
- e existir para além das pessoas que a fundaram.
Nas sociedades comerciais, essa personalidade jurídica implica também a existência de capital, isto é, recursos financeiros colocados à disposição da empresa para iniciar e sustentar a sua atividade.
Capital próprio vs capital alheio
Do ponto de vista financeiro, as empresas podem financiar-se de duas formas fundamentais:
- Capital próprio, que pertence aos sócios ou acionistas
- Capital alheio, que corresponde a financiamento obtido junto de terceiros (bancos, obrigacionistas, fornecedores, etc.)
O capital próprio representa os recursos que os proprietários colocam na empresa assumindo o risco do negócio. Não existe garantia de retorno, nem de reembolso. Em contrapartida, esses proprietários beneficiam do sucesso da empresa, quer através de dividendos, quer através da valorização da sua participação.
O capital alheio, por outro lado, envolve uma obrigação contratual: quem empresta dinheiro à empresa espera receber juros e o reembolso do capital, independentemente do desempenho do negócio, salvo situações de insolvência.
Esta distinção é essencial, porque define quem assume o risco económico da empresa:
- os credores são remunerados pela previsibilidade,
- os acionistas são remunerados pela incerteza.
O papel do capital social no financiamento das empresas
O capital social é a expressão formal do capital próprio da empresa no momento da sua constituição (e nas alterações posteriores). Representa o montante que os sócios ou acionistas se comprometem a entregar à empresa e que serve de base ao seu arranque operacional.
Mais do que um simples número, o capital social cumpre várias funções:
- sinaliza o compromisso financeiro dos proprietários,
- constitui uma referência para terceiros (credores, parceiros, investidores),
- estrutura a distribuição de poder e de resultados dentro da empresa.
Nas sociedades por ações, o capital social é dividido em partes iguais — as ações — o que permite:
- a entrada e saída de investidores,
- a dispersão do capital,
- e o financiamento da empresa em larga escala.
Porque é que as empresas emitem ações
As empresas emitem ações essencialmente para obter capital próprio. Ao fazê-lo, estão a trocar uma parte da propriedade da empresa por recursos financeiros.
Existem várias razões para recorrer a este mecanismo:
- financiar crescimento e expansão,
- investir em novos projetos ou tecnologias,
- reforçar a estrutura financeira,
- reduzir dependência de endividamento,
- permitir a entrada de novos sócios ou investidores.
Ao contrário do financiamento por dívida, a emissão de ações não cria uma obrigação de pagamento fixo. O custo do capital próprio é implícito e está ligado ao desempenho futuro da empresa. Isso torna as ações um instrumento particularmente adequado para financiar projetos com risco elevado, mas também com elevado potencial de crescimento.
2. O que é uma ação: definição económica e jurídica
A ação como fração do capital social
Uma ação é uma unidade representativa de uma fração do capital social de uma empresa constituída sob a forma de sociedade por ações (sociedade anónima). Quem detém uma ação detém, proporcionalmente, uma parte da empresa.
Por exemplo, se uma empresa tem um capital social de 1 milhão de euros dividido em 1 milhão de ações, cada ação representa:
- 1 euro de capital social,
- 1 milionésima parte da empresa.
Este fracionamento permite que a propriedade da empresa seja:
- facilmente transferível,
- divisível entre múltiplos investidores,
- negociável em mercados organizados.
Economicamente, a ação representa uma participação residual: o acionista tem direito ao que sobra depois de a empresa cumprir todas as suas obrigações.
Direitos associados a uma ação
Ao deter uma ação, o investidor adquire um conjunto de direitos, que se podem agrupar em duas grandes categorias.
Direitos económicos (dividendos)
Os direitos económicos dizem respeito à participação nos resultados da empresa. O mais conhecido é o direito a dividendos, isto é, à distribuição de parte dos lucros quando a empresa assim o decide.
É importante sublinhar que:
- o pagamento de dividendos não é obrigatório,
- depende dos resultados e da política da empresa,
- e pode variar significativamente ao longo do tempo.
Além dos dividendos, o acionista beneficia também da valorização da ação, caso o mercado passe a atribuir um valor mais elevado à empresa.
Direitos políticos (voto)
As ações conferem igualmente direitos políticos, em particular o direito de voto nas assembleias gerais. Estes direitos permitem aos acionistas:
- eleger órgãos de gestão,
- aprovar contas,
- decidir sobre alterações relevantes da empresa.

O peso do voto é, regra geral, proporcional ao número de ações detidas. Assim, quem detém mais ações tem maior influência nas decisões estratégicas da empresa.
A diferença entre ser acionista e ser credor
Esta distinção é central para compreender o funcionamento das ações.
O acionista:
- é proprietário de uma parte da empresa,
- assume o risco do negócio,
- não tem garantia de rendimento,
- é remunerado em função do sucesso da empresa.
O credor:
- empresta dinheiro à empresa,
- tem direito contratual a juros e reembolso,
- tem prioridade sobre os acionistas em caso de insolvência,
- não participa nos lucros adicionais.
Em termos simples:
o credor protege-se contra o risco,
o acionista aceita o risco em troca do potencial de retorno.
É precisamente esta lógica que torna as ações simultaneamente um instrumento de financiamento essencial para as empresas e um ativo central nos mercados financeiros.
3. Sociedades anónimas em Portugal e empresas cotadas nos EUA
O que é uma Sociedade Anónima (S.A.) em Portugal
Em Portugal, as ações estão associadas a um tipo específico de forma jurídica: a Sociedade Anónima (S.A.). Trata-se de uma sociedade comercial cujo capital social se encontra dividido em ações e em que a responsabilidade dos acionistas está limitada ao valor das ações que subscreveram.
Esta característica é fundamental. Significa que:
- os acionistas não respondem com o seu património pessoal pelas dívidas da empresa,
- o risco financeiro máximo de cada acionista está limitado ao capital investido.
A Sociedade Anónima é, por isso, a forma jurídica mais adequada para empresas que:
- necessitam de capital significativo,
- pretendem ter muitos acionistas,
- ou equacionam o acesso aos mercados financeiros.
Do ponto de vista da governação, a S.A. assenta numa separação clara entre:
- propriedade (acionistas),
- gestão (administradores).
Esta separação é uma das bases do capitalismo moderno e permite a existência de empresas de grande dimensão com capital disperso.
Ações nominativas e ações ao portador (enquadramento histórico)
Historicamente, as ações podiam assumir duas formas principais:
- ações nominativas, associadas a um titular identificado,
- ações ao portador, cujo proprietário era quem fisicamente detivesse o título.
As ações ao portador facilitavam a transmissão da propriedade, mas levantavam problemas significativos em termos de:
- transparência,
- combate à evasão fiscal,
- prevenção do branqueamento de capitais.
Por essa razão, a maioria dos ordenamentos jurídicos modernos — incluindo Portugal — aboliu ou restringiu fortemente as ações ao portador. Atualmente, as ações são, na prática, sempre nominativas e registadas, ainda que a sua negociação seja eletrónica e intermediada por sistemas financeiros.
Este enquadramento reforça a transparência dos mercados e a proteção dos investidores.
O conceito de public company nos Estados Unidos
Nos Estados Unidos, a terminologia utilizada é diferente e pode gerar alguma confusão para quem está habituado à realidade portuguesa. Uma public company não é uma empresa detida pelo Estado. É uma empresa cujo capital está disperso por investidores e cujas ações podem ser livremente negociadas em mercados financeiros organizados.
Uma empresa torna-se public quando:
- realiza uma Oferta Pública Inicial (IPO),
- passa a estar sujeita a regras de divulgação e reporte rigorosas,
- fica sob supervisão de entidades como a Securities and Exchange Commission.
O estatuto de public company implica maior escrutínio, mas também oferece vantagens relevantes:
- acesso a grandes volumes de capital,
- maior liquidez das ações,
- visibilidade e credibilidade no mercado.
Empresa pública vs empresa cotada: uma diferença essencial
Aqui importa clarificar uma distinção frequentemente mal compreendida.
Em Portugal, quando falamos de empresa pública, estamos normalmente a referir-nos a uma empresa cujo capital é detido, total ou maioritariamente, pelo Estado. Exemplos típicos incluem empresas de transportes, energia ou infraestruturas em determinados períodos históricos.
Nos Estados Unidos, a expressão public company significa algo completamente diferente:
- uma empresa com capital disperso,
- detida por investidores privados,
- cujas ações são negociadas em bolsa.
Em termos simples:
- empresa pública (Portugal) → quem detém o capital é o Estado
- empresa cotada (EUA) → o capital pertence ao público investidor
Esta diferença terminológica é crucial para evitar interpretações erradas quando se analisam empresas internacionais ou literatura financeira anglo-saxónica.
4. Valor nominal da ação vs valor de mercado
O que é o valor nominal e porque existe
O valor nominal de uma ação corresponde à parcela do capital social que essa ação representa. É um valor definido no momento da constituição da empresa (ou em aumentos de capital posteriores) e resulta de uma divisão simples:
Valor Nominal = Capital Social / Nº de Ações Emitidas
O valor nominal tem essencialmente uma função jurídica e contabilística:
- serve de referência para a estrutura do capital social,
- é relevante em operações societárias (aumentos de capital, reduções, fusões),
- define limites legais em determinadas transações.
Importa sublinhar que o valor nominal não pretende refletir o valor económico da empresa.
Como é definido o capital social
O capital social é definido pelos fundadores ou acionistas da empresa no momento da sua constituição ou em alterações posteriores. Representa o montante de capital próprio que os acionistas se comprometem a colocar à disposição da empresa.
Este capital pode ser realizado:
- em dinheiro,
- em bens,
- ou, em certos casos, através de entradas em espécie devidamente avaliadas.
Uma vez definido o capital social, este é dividido em ações de igual valor nominal, criando a estrutura base da propriedade da empresa.
Porque o valor nominal raramente coincide com o preço de mercado
Uma das confusões mais comuns entre investidores menos experientes é assumir que o valor nominal tem alguma relação direta com o preço de mercado da ação. Na realidade, essa coincidência é rara e, na maioria dos casos, inexistente.
O valor nominal:
- é fixo (salvo alterações societárias),
- reflete decisões passadas,
- não reage ao desempenho da empresa.
O preço de mercado, pelo contrário:
- varia constantemente,
- reflete expectativas futuras,
- incorpora informação nova, risco e sentimento do mercado.
Assim, uma ação com valor nominal de 1 euro pode estar a cotar:
- a 0,50 euros,
- a 10 euros,
- ou a 200 euros,
sem que isso implique qualquer anomalia jurídica ou financeira.
O preço da ação como resultado das expectativas do mercado
O preço de mercado de uma ação resulta do encontro entre compradores e vendedores num mercado organizado. Mais do que refletir a situação atual da empresa, esse preço incorpora:
- expectativas sobre lucros futuros,
- perceção de risco,
- condições económicas e financeiras,
- alternativas de investimento disponíveis.
Em última análise, o preço de uma ação representa um consenso momentâneo do mercado sobre o valor futuro da empresa, e não uma medida objetiva ou definitiva do seu valor real.
É por isso que os preços mudam constantemente e porque a cotação de uma ação pode afastar-se, por longos períodos, de indicadores contabilísticos ou históricos.
5. O que é uma Oferta Pública Inicial (IPO)
Porque é que uma empresa decide abrir o capital
Uma Oferta Pública Inicial (Initial Public Offering – IPO) é o processo através do qual uma empresa passa, pela primeira vez, a oferecer as suas ações ao público em geral, tornando-se uma empresa cotada em bolsa.

A decisão de abrir o capital é estratégica e envolve custos, obrigações e benefícios relevantes. Entre as principais motivações estão:
- Angariação de capital próprio para financiar crescimento, expansão internacional, inovação ou aquisições
- Redução da dependência de endividamento, melhorando a estrutura financeira
- Liquidez para acionistas existentes, como fundadores ou investidores iniciais
- Reforço da notoriedade e credibilidade da empresa junto de clientes, parceiros e financiadores
Abrir o capital não é apenas uma operação financeira; é uma mudança estrutural na relação da empresa com o mercado e com os seus stakeholders.
O papel dos bancos de investimento
Os IPOs são normalmente conduzidos com o apoio de bancos de investimento, que atuam como intermediários especializados ao longo de todo o processo. O seu papel inclui:
- assessorar a empresa na preparação do IPO,
- avaliar a empresa e o seu modelo de negócio,
- estruturar a operação,
- promover a oferta junto de investidores institucionais (roadshow),
- e, frequentemente, garantir a colocação das ações (subscrição).
Os bancos de investimento funcionam como ponte entre a empresa e o mercado, ajudando a traduzir a sua história, resultados e perspetivas numa proposta compreensível e atrativa para os investidores.
Como são definidas a quantidade de ações e o preço inicial
Durante o IPO, duas decisões são centrais: quantas ações emitir e a que preço.
A quantidade de ações a emitir depende:
- das necessidades de financiamento da empresa,
- do grau de diluição que os acionistas existentes estão dispostos a aceitar,
- da estrutura de capital desejada após o IPO.
O preço inicial não é arbitrário. Resulta de um processo de avaliação que combina:
- análise financeira (resultados, crescimento, margens),
- comparação com empresas semelhantes já cotadas,
- condições de mercado,
- e procura estimada dos investidores.
Este processo culmina na definição de um intervalo indicativo de preços, ajustado à medida que os bancos recolhem intenções de investimento. O objetivo é encontrar um preço que permita uma colocação bem-sucedida das ações, garantindo simultaneamente uma valorização sustentável no mercado secundário.
O que muda para a empresa após o IPO
Após o IPO, a empresa passa a operar num novo enquadramento. Entre as principais mudanças destacam-se:
- Maior escrutínio público, por parte de investidores, analistas e reguladores
- Obrigação de divulgação regular de informação financeira
- Disciplina acrescida na governação corporativa
- Avaliação contínua pelo mercado, refletida na cotação da ação
Ao mesmo tempo, a empresa ganha acesso permanente aos mercados de capitais, podendo recorrer a novos aumentos de capital no futuro. O IPO marca, assim, a transição de uma empresa “privada” para uma organização integrada no sistema financeiro global.
6. As bolsas de valores: o que são e para que servem
A bolsa como mercado organizado
Uma bolsa de valores é um mercado organizado onde são negociados instrumentos financeiros, nomeadamente ações. Ao contrário de transações privadas, as negociações em bolsa ocorrem segundo regras claras, supervisionadas por entidades reguladoras, e com recurso a plataformas tecnológicas que asseguram eficiência e fiabilidade.

A bolsa não é um local onde as empresas “vendem” diretamente as suas ações no dia a dia. É um mercado secundário onde investidores compram e vendem ações entre si, depois de estas terem sido emitidas.
Funções principais das bolsas de valores
As bolsas desempenham várias funções essenciais no funcionamento da economia e dos mercados financeiros.
Liquidez
A bolsa permite que os investidores comprem e vendam ações com facilidade. Esta liquidez é fundamental, pois reduz o risco de investir em ações e torna o capital mais móvel e eficiente.
Formação de preços
As bolsas são mecanismos centrais de formação de preços. Através do encontro entre ordens de compra e de venda, o mercado estabelece continuamente um preço para cada ação, refletindo a informação e as expectativas disponíveis num dado momento.
Transparência
A negociação em bolsa exige elevados níveis de transparência:
- divulgação de informação financeira,
- regras claras de negociação,
- acesso público às cotações e volumes.
Esta transparência protege os investidores e contribui para a confiança no sistema financeiro.
Exemplos de bolsas de valores
Existem bolsas em todo o mundo, com diferentes características e especializações. Entre as mais conhecidas encontram-se:
- NYSE – a maior bolsa de valores do mundo em termos de capitalização, associada a empresas industriais e financeiras de grande dimensão.
- NASDAQ – uma bolsa eletrónica fortemente associada a empresas tecnológicas e de crescimento.
- Euronext Lisboa – o principal mercado de ações em Portugal, integrado no grupo Euronext, que agrega várias bolsas europeias.
Apesar das diferenças, todas estas bolsas partilham o mesmo objetivo central: ligar empresas a investidores de forma eficiente, transparente e regulada.
7. Como se forma o preço de uma ação: o livro de ordens
O conceito de oferta e procura
O preço de uma ação não é definido pela empresa, nem pela bolsa, nem por analistas. O preço resulta exclusivamente do encontro entre oferta e procura: investidores dispostos a comprar e investidores dispostos a vender.
Sempre que alguém compra uma ação, alguém do outro lado está a vendê-la. O preço a que a transação ocorre reflete o ponto exato onde essas duas vontades se encontram num dado momento.
Este princípio simples é a base de toda a formação de preços nos mercados financeiros.

Ordens de compra e de venda
Para negociar ações, os investidores colocam ordens no mercado. Essas ordens podem ser de dois tipos fundamentais:
- Ordens de compra, que indicam a intenção de adquirir ações
- Ordens de venda, que indicam a intenção de alienar ações
Cada ordem especifica, pelo menos:
- a quantidade de ações,
- e as condições em que o investidor está disposto a negociar.
Estas ordens são centralizadas e organizadas num sistema eletrónico gerido pela bolsa.
Ordens ao mercado vs ordens limite
As ordens podem diferir quanto à forma como o preço é determinado.
Uma ordem ao mercado executa-se imediatamente ao melhor preço disponível naquele instante. O investidor garante a execução, mas não controla o preço final da transação.
Uma ordem limite, pelo contrário, estabelece um preço máximo (no caso de compra) ou mínimo (no caso de venda). A ordem só será executada se o mercado atingir esse nível de preço. Aqui, o investidor controla o preço, mas não garante a execução.
Esta distinção é fundamental para compreender como se constrói o preço no mercado e porque é que diferentes investidores podem ter impactos distintos na cotação.
O order book e o spread
Todas as ordens limite existentes formam o chamado livro de ordens (order book). Este livro apresenta:
- do lado da compra, os preços mais elevados que os compradores estão dispostos a pagar,
- do lado da venda, os preços mais baixos a que os vendedores aceitam vender.
O melhor preço de compra e o melhor preço de venda definem o spread, isto é, a diferença entre o preço máximo que alguém quer pagar e o preço mínimo que alguém aceita receber.
O spread é um indicador importante:
- spreads reduzidos indicam elevada liquidez,
- spreads elevados sinalizam menor atividade ou maior incerteza.
Porque o preço muda constantemente
O preço de uma ação muda sempre que:
- uma nova ordem entra no mercado,
- uma ordem existente é cancelada,
- ou ocorre uma transação.
Como milhares de investidores estão continuamente a rever as suas decisões com base em nova informação, o equilíbrio entre oferta e procura está em permanente ajustamento. O preço é, assim, dinâmico, refletindo em tempo real a interação entre expectativas, necessidades de liquidez e perceção de risco.
8. O que é uma cotação e o que ela realmente reflete
Preço não é “valor”
Uma das distinções mais importantes em finanças é a diferença entre preço e valor.
O preço de uma ação é o valor a que a última transação ocorreu no mercado. É observável, público e objetivo.
O valor, pelo contrário, é uma estimativa subjetiva do que a empresa “vale”, baseada em expectativas sobre:
- resultados futuros,
- crescimento,
- risco,
- e condições económicas.
Diferentes investidores podem atribuir valores muito diferentes à mesma empresa — e é precisamente essa divergência que gera negociação.
A cotação como consenso momentâneo do mercado
A cotação de uma ação pode ser entendida como um consenso temporário entre compradores e vendedores. Não é um julgamento definitivo, nem uma verdade absoluta sobre a empresa.

É apenas o melhor acordo possível num dado instante, com a informação e as expectativas disponíveis naquele momento.
Por isso, a cotação pode mudar rapidamente:
- sem que a empresa tenha mudado,
- sem que novos dados fundamentais tenham sido divulgados.
O papel das expectativas, notícias e resultados
Os mercados financeiros são orientados para o futuro. O preço de uma ação reflete menos o que a empresa foi e mais o que se espera que venha a ser.
Resultados financeiros, anúncios estratégicos, mudanças de orientação, dados macroeconómicos ou mesmo notícias e rumores podem alterar expectativas e, consequentemente, a cotação.
Muitas vezes, não é o facto em si que move o preço, mas a diferença entre o que era esperado e o que efetivamente aconteceu.
Volatilidade e liquidez
A volatilidade mede a intensidade das variações de preço ao longo do tempo. Ações mais voláteis apresentam oscilações maiores e mais frequentes, refletindo maior incerteza ou maior sensibilidade à informação.
A liquidez, por sua vez, refere-se à facilidade com que uma ação pode ser comprada ou vendida sem impacto significativo no preço. Mercados líquidos tendem a ser mais estáveis, enquanto mercados pouco líquidos são mais suscetíveis a movimentos abruptos.
Volatilidade e liquidez estão intimamente ligadas e são características centrais para compreender o comportamento das ações nos mercados financeiros.
9. Porque é que as ações sobem e descem
Resultados financeiros e expectativas futuras
Embora as ações representem participações em empresas reais, os seus preços não reagem apenas aos resultados passados. O mercado financeiro é essencialmente prospectivo: reage às expectativas sobre o futuro.
Quando uma empresa divulga resultados financeiros, o impacto na cotação depende menos dos números absolutos e mais da comparação com aquilo que o mercado esperava. Resultados “bons” podem levar a quedas se ficarem abaixo das expectativas, enquanto resultados aparentemente modestos podem gerar subidas se superarem o consenso.

Assim, as ações sobem ou descem sobretudo quando há revisões nas expectativas quanto ao crescimento, à rentabilidade ou ao risco da empresa.
Crescimento, risco e incerteza
O preço de uma ação reflete um equilíbrio entre potencial de crescimento e perceção de risco. Empresas com elevado potencial de crescimento tendem a negociar a preços mais elevados, mas também estão mais expostas a desilusões caso esse crescimento não se concretize.
A incerteza desempenha aqui um papel central. Quanto maior a incerteza sobre os resultados futuros, maior tende a ser a volatilidade da ação. Mudanças no enquadramento económico, tecnológico ou regulatório podem alterar rapidamente a perceção de risco, levando a ajustamentos significativos nos preços.
Fatores específicos da empresa vs fatores de mercado
Os movimentos das ações resultam da combinação de dois tipos de fatores:
- fatores específicos da empresa, como resultados, estratégia, gestão, inovação ou posição competitiva;
- fatores de mercado, como taxas de juro, inflação, crescimento económico, condições de liquidez ou sentimento dos investidores.
Em muitos períodos, sobretudo no curto prazo, os fatores de mercado dominam o comportamento das ações, levando empresas muito diferentes a moverem-se na mesma direção. Em horizontes mais longos, os fatores específicos tendem a assumir maior relevância.
O papel dos investidores institucionais
Investidores institucionais — fundos de investimento, fundos de pensões, seguradoras, entre outros — desempenham um papel determinante nos mercados de ações. Devido à dimensão dos seus investimentos, as suas decisões influenciam significativamente a oferta e a procura.
Além disso, estes investidores operam frequentemente com base em:
- modelos quantitativos,
- restrições regulamentares,
- gestão de risco e de liquidez.
As suas ações podem amplificar movimentos de mercado, especialmente em períodos de stress ou reavaliação de risco.
10. Ações como instrumento de investimento (enquadramento geral)
Rentabilidade esperada no longo prazo
Historicamente, as ações têm proporcionado uma rentabilidade superior à maioria dos outros ativos financeiros no longo prazo. Esta rentabilidade é a compensação pelo risco assumido pelos acionistas e pela incerteza associada aos fluxos de caixa futuros.
No entanto, esta rentabilidade não é linear nem garantida. Períodos prolongados de volatilidade ou de retornos negativos fazem parte da experiência de investir em ações.
Risco e volatilidade
O principal risco associado às ações é a volatilidade dos preços. O valor de uma ação pode variar significativamente ao longo do tempo, em função de fatores económicos, financeiros ou comportamentais.
Este risco não deve ser confundido com a probabilidade de perda permanente. Para investidores com horizontes de longo prazo e carteiras diversificadas, a volatilidade representa sobretudo flutuações temporárias, e não necessariamente destruição de valor.
Dividendos vs valorização do capital
Os acionistas podem ser remunerados de duas formas:
- dividendos, pagos periodicamente a partir dos lucros da empresa;
- valorização do capital, resultante do aumento do preço da ação ao longo do tempo.
Algumas empresas privilegiam a distribuição de dividendos, enquanto outras reinvestem os lucros para financiar crescimento futuro. Ambas as abordagens são legítimas e refletem diferentes estratégias empresariais e perfis de investidor.
Ações no contexto de uma carteira diversificada
As ações devem ser encaradas como um elemento de uma carteira diversificada, e não como um investimento isolado. A diversificação por empresas, setores, geografias e classes de ativos permite reduzir o risco global da carteira sem comprometer a rentabilidade esperada.
Neste contexto, as ações desempenham um papel central como motor de crescimento do património no longo prazo.
11. Conclusão: ações como ponte entre empresas e mercados
As ações como mecanismo de financiamento da economia
As ações são um dos principais mecanismos através dos quais as empresas obtêm capital para crescer, inovar e competir. Ao permitir a participação de investidores no capital das empresas, os mercados acionistas ligam poupança e investimento de forma eficiente.
Este processo é essencial para o desenvolvimento económico e para a criação de valor a longo prazo.
A importância de compreender o ativo antes de investir
Investir em ações sem compreender o que elas representam é assumir riscos desnecessários. A compreensão dos fundamentos jurídicos, económicos e de mercado das ações permite tomar decisões mais informadas, realistas e alinhadas com os objetivos de cada investidor.
Conhecimento não elimina risco, mas melhora significativamente a qualidade das decisões.
A ligação entre gestão, estratégia e mercado de capitais
As ações são o ponto de contacto entre a gestão das empresas e o mercado de capitais. As decisões estratégicas tomadas internamente refletem-se, mais cedo ou mais tarde, na perceção dos investidores e na cotação da ação.
Para gestores, empresários e estudantes de gestão, compreender esta ligação é essencial para interpretar o comportamento dos mercados e o papel das empresas num sistema económico cada vez mais integrado e financeirizado.
Nota de transparência
Este artigo foi elaborado com apoio de ferramentas de inteligência artificial, nomeadamente o ChatGPT Plus (GPT-5.2), utilizadas como instrumento de apoio à redação e organização do conteúdo. A seleção dos temas, estrutura, interpretação e validação técnica são da inteira responsabilidade do autor.







