Tipos de Ativos Financeiros

Tipos de ativos financeiros: ações, obrigações, ETFs e outros

Para investir com confiança, é essencial conhecer os diferentes tipos de ativos financeiros disponíveis nos mercados. Cada ativo tem características próprias — risco, retorno, liquidez, horizonte temporal — e desempenha um papel diferente numa carteira de investimentos.

Neste artigo, vamos estudar os principais ativos financeiros que compõem o universo do investimento moderno, dividindo-os em ativos de capital, ativos de dívida, veículos de investimento coletivo e ativos derivados e alternativos.

Neste artigo:

  1. Ativos de Capital (Ações)
  2. Ativos de Dívida (Obrigações)
  3. Veículos de Investimento Coletivo
  4. Derivados (Instrumentos Baseados em Outros Ativos)
  5. Ativos Reais e Alternativos
  6. Comparação Resumida dos Principais Ativos
  7. Conclusão
  8. Próximo artigo

1. Ativos de Capital

São instrumentos que representam uma participação na propriedade de uma empresa. O investidor torna-se “sócio” da empresa, com direito a parte dos lucros (dividendos) e à valorização da empresa.

📌 Ações

  • Representam a propriedade de uma fração de uma empresa.
  • Dão direito a dividendos (se a empresa os distribuir).
  • O valor pode aumentar com o crescimento da empresa.
  • Podem ser ordinárias (com direito a voto) ou preferenciais (sem voto mas com prioridade nos dividendos).

🟢 Exemplo: Comprar ações da EDP ou da Apple significa tornar-se acionista dessas empresas.

Risco: Alto (volatilidade do mercado)
Liquidez: Alta em mercados desenvolvidos
Horizonte típico: Médio a longo prazo


2. Ativos de Dívida (Rendimento Fixo)

São instrumentos em que o investidor empresta dinheiro a uma entidade (empresa, Estado, etc.) em troca de juros periódicos e reembolso no fim do prazo.

📌 Obrigações

  • Títulos de dívida com prazo e taxa de juro definidos.
  • Emitidos por empresas (obrigações corporativas) ou governos (obrigações do tesouro).
  • Pagam juros fixos (cupão) ou variáveis.

🟢 Exemplo: Uma obrigação do Tesouro português a 10 anos com juro de 3% paga esse valor anualmente e devolve o capital no final.

Risco: Médio (depende do emissor)
Liquidez: Média a alta (depende do mercado)
Horizonte típico: Médio a longo prazo

📌 Bilhetes do Tesouro

  • Semelhantes às obrigações, mas de curto prazo (normalmente até 1 ano).
  • Muito utilizados por investidores institucionais e para gestão de liquidez.

3. Veículos de Investimento Coletivo

Permitem investir em várias empresas ou ativos de forma diversificada, com gestão profissional. São úteis para pequenos investidores que pretendem exposição a mercados variados sem investir diretamente em cada ativo.

📌 Fundos de Investimento

  • Fundos geridos por profissionais que reúnem o capital de vários investidores.
  • Podem ser fundos de ações, obrigações, mistos, temáticos, etc.
  • O valor do fundo varia em função do desempenho dos ativos que compõem a carteira.

🟢 Exemplo: Um fundo que investe em empresas tecnológicas dos EUA.

Risco: Variável (depende da estratégia do fundo)
Liquidez: Normalmente elevada, com resgate diário ou semanal
Horizonte típico: Médio a longo prazo

📌 ETFs (Exchange-Traded Funds)

  • Fundos que replicam índices (ex: S&P 500, Euro Stoxx 50).
  • Negociados em bolsa como se fossem ações.
  • Baixos custos de gestão, elevada liquidez e transparência.

🟢 Exemplo: O ETF SPY replica o índice S&P 500.

Risco: Depende do índice replicado
Liquidez: Muito alta
Horizonte típico: Curto, médio ou longo prazo


4. Derivados (Instrumentos Baseados em Outros Ativos)

Os derivados não têm valor intrínseco próprio, pois o seu valor depende do comportamento de outro ativo (subjacente).

📌 Opções

  • Contratos que dão ao comprador o direito (mas não a obrigação) de comprar ou vender um ativo a um preço específico, até uma data definida.
  • Permitem estratégias de proteção (hedging) ou especulação.

🟢 Exemplo: Uma opção de compra (call) sobre ações da Microsoft com strike 300.

Risco: Elevado se mal utilizado
Liquidez: Alta em mercados desenvolvidos (ex: EUA)
Horizonte típico: Curto prazo

📌 Futuros

  • Contratos para comprar ou vender um ativo numa data futura a um preço pré-acordado.
  • Usados para cobertura de risco ou alavancagem.

🟢 Exemplo: Um futuro sobre o índice Nasdaq-100.

Risco: Elevado
Liquidez: Alta
Horizonte típico: Curto prazo

🛑 Nota: Os derivados serão abordados com maior detalhe numa série futura. Por agora, importa saber que são instrumentos avançados e exigem sólida preparação.

📌 CFDs (Contracts for Difference)

  • Contrato financeiro entre o investidor e o broker em que se troca a diferença de valor de um ativo entre o momento de abertura e fecho da posição.
  • Permitem especular sobre a subida ou descida de ações, índices, matérias-primas, criptomoedas, etc., sem nunca possuir o ativo subjacente.
  • Muito utilizados em plataformas de trading de retalho na Europa, com forte promoção devido à alavancagem.

🟢 Exemplo: Abrir um CFD sobre o DAX com 10x de alavancagem significa que uma variação de 1% no índice equivale a uma variação de 10% no resultado da posição.

Risco: Extremamente elevado
Liquidez: Alta (mas o spread pode ser penalizador)
Horizonte típico: Curto prazo (custos crescentes em posições longas)

⚠️ Nota crítica: Embora populares, os CFDs são estruturalmente desvantajosos para o investidor:

  • O spread de entrada (diferença entre o preço de compra e venda) é normalmente elevado, o que significa que a posição começa logo com uma perda.
  • Cobram juros diários (overnight) em posições alavancadas, o que penaliza fortemente estratégias de médio ou longo prazo.
  • Em ativos cotados noutra moeda, aplicam taxas de câmbio (FX) desfavoráveis.
  • A estrutura de incentivos destes produtos favorece a corretora, e a esmagadora maioria dos investidores perde dinheiro com CFDs.

🚫 Recomendação prática: Este instrumento não é adequado para a maioria dos investidores particulares. Mesmo traders experientes têm dificuldade em obter resultados consistentes com CFDs, especialmente devido aos custos ocultos e à alavancagem descontrolada.


5. Ativos Reais e Alternativos

São ativos fora do mercado financeiro tradicional, mas que também podem fazer parte de uma carteira de investimento diversificada.

📌 Imobiliário

  • Investimento direto em imóveis ou através de fundos imobiliários (REITs).
  • Pode gerar rendimento através de rendas ou valorização do imóvel.

📌 Metais preciosos (ouro, prata)

  • Usados como reserva de valor ou proteção contra inflação.
  • Podem ser comprados fisicamente ou através de ETFs de ouro.

📌 Criptomoedas

  • Ativos digitais descentralizados (ex: Bitcoin, Ethereum).
  • Extremamente voláteis e com regulação incipiente.

Comparação Resumida dos Principais Ativos

Tipo de AtivoRiscoLiquidezHorizonte TípicoExemplo
AçõesAltoAltaMédio / Longo prazoApple, EDP
ObrigaçõesMédioMédiaMédio / Longo prazoOT a 10 anos
FundosVariávelMédiaMédio / Longo prazoFundo misto europeu
ETFsMédioAltaCurto a longo prazoETF S&P 500
OpçõesElevadoAltaCurto prazoCall sobre NVDA
ImobiliárioMédioBaixaLongo prazoApartamento arrendado
CriptomoedasMuito altoAltaCurto / especulativoBitcoin

Conclusão

A diversidade de ativos financeiros permite ao investidor construir carteiras ajustadas ao seu perfil de risco, objetivos e horizonte temporal. Compreender a natureza e as características de cada tipo de ativo é essencial para tomar decisões informadas e evitar erros comuns.

No próximo artigo vamos explorar como funcionam as ações em detalhe, incluindo os tipos de ações, o seu comportamento no mercado, e as formas como os investidores podem ganhar dinheiro com elas.


📅 Próximo artigo:

“O que são ações e como funcionam” – Publicação a 1 de agosto de 2025

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