Modelos de Capitalismo

Os Modelos de Capitalismo Segundo Alan Greenspan

Alan Greenspan expõem as vantagens e os defeitos do modelo capitalista comparando-o com outros modelos económicos implementados por todo o mundo durante o século XX.

Por entre os comentários dos oradores na enorme e apinhada sala de reuniões da sede do FMI, ouvia as palavras de ordem e os gritos dos dissidentes antiglobalização na rua. Estávamos em Abril de 2000, e qualquer coisa como entre dez e trinta mil estudantes, membros de grupos religiosos, sindicalistas e ambientalistas tinham convergido para Washington a fim de contestarem a reunião da Primavera do Banco Mundial e do Fundo Monetário Internacional. Embora os ministros das finanças e presidentes dos bancos centrais na sala não conseguissem distinguir as palavras de ordem, não era difícil perceberem o espírito.

Protestavam contra o que, em seu entender, consideravam ser os ataques ao aumento do comércio global, em particular a opressão e a exploração dos pobres nos países em vias de desenvolvimento. Fiquei, e ainda fico entristecido com semelhantes acontecimentos, uma vez que, se os manifestantes conseguissem destruir o comércio global, as mais prejudicadas seriam as centenas de milhões de pessoas pobres do mundo, precisamente aquelas em cujo nome os manifestantes haviam decidido falar.

O mercado livre e a globalização nem sempre é bem aceite

Se, por um lado, o planeamento central pode ter deixado de constituir uma forma credível de organização económica, constatamos que a batalha intelectual a favor dos seus rivais – o capitalismo de mercado livre e a globalização – está longe de estar ganha. Durante dez gerações, o capitalismo tem vindo a conseguir avanços sucessivos enquanto os níveis e a qualidade de vida subiam a um ritmo sem precedentes em vastas partes do globo. A pobreza foi significativamente reduzida e a esperança de vida mais do que duplicou.

O aumento do bem-estar material, o valor dos rendimentos reais per capita cresceu o décuplo ao longo de dois séculos, permitiu que a terra suportasse uma subida do nível populacional para o sêxtuplo. No entanto, o capitalismo ainda parece ter dificuldade em ser aceite, quanto mais ser abraçado plenamente.

O problema reside no facto de a dinâmica que define o capitalismo, a implacável concorrência do mercado, contrariar o desejo humano de estabilidade e segurança. Um vasto segmento da sociedade tem uma cada vez maior sensação de «injustiça» relativamente à distribuição das recompensas do capitalismo. A concorrência, o maior motor do capitalismo, gera ansiedade em todos nós. Uma grande fonte dessa ansiedade é o medo crónico de perder o emprego.

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Outro receio mais profundamente sentido provém da constante alteração, por parte da concorrência, da atual situação e do estilo de vida, bons ou maus, onde a maior parte das pessoas vai buscar conforto. Estou convicto de que os fabricantes de aço americanos que aconselhei na década de 1950 teriam ficado bastante satisfeitos se os fabricantes de aço japoneses não tivessem melhorado a qualidade e a produtividade de uma forma tão marcante. Inversamente, duvido que a IBM gostasse de ver os seus processadores de texto computorizados serem suplantados pela venerável máquina de escrever elétrica.

O capitalismo origina um conflito interno em cada um de nós

Somos alternadamente o empresário agressivo e o espetador sedentário. Quem prefere, subliminarmente, o menor stress competitivo de uma economia em que todos os participantes tenham rendimentos iguais? Se, por um lado, sem concorrência não existe progresso económico, por outro, pessoalmente não posso afirmar que o progresso me tenha agradado sempre. Nunca vi com bons olhos que empresas rivais procurassem retirar clientes à Townsend-Greenspan.

Mas, para competir, tive de melhorar. Foi necessário oferecer um serviço melhor. Tive de me tornar mais produtivo. No fim, claro, senti-me mais feliz. Os meus clientes também; e desconfio que sucedeu o mesmo com os meus concorrentes. Lá no fundo, é provavelmente essa a mensagem do capitalismo: a única maneira de aumentar a produtividade é através da destruição criadora, a troca de velhas tecnologias e modos antiquados de trabalhar pelos novos; e por conseguinte, também a única maneira de fazer subir os níveis de vida numa base sustentada. Demonstra-nos a História que tal não se consegue descobrindo ouro, petróleo ou outra qualquer riqueza natural.

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O êxito do capitalismo

O êxito do capitalismo é inegável. As economias de mercado têm conseguido prosperar ao longo dos séculos eliminando metodicamente os ineficazes e mal preparados, e concedendo recompensas àqueles que se antecipam à procura do consumidor e vão ao seu encontro mediante um uso mais eficiente dos recursos de mão-de-obra e de capital. As mais recentes tecnologias têm feito estender este implacável processo capitalista a uma escala global. Quanto mais os governos «protegem» setores das suas populações do que consideram ser fortes pressões competitivas, mais baixo será o nível geral de vida material dos cidadãos.

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